Se é pra falar de amor, podemos começar da primeira vez que iluminamos alguém. Do choro contido por nove meses anunciando a primeira sensação de estar vivo e respirar. Que eu fale da minha mãe gritando enfurecida com cada pessoa que tinha sinceridade suficiente pra falar que eu não era uma criança exatamente bonita.Volte ao primeiro defeito que o seu pai reconheceu em você, não havia ilusão pra se esvair, ele te amou pelo seu melhor e se comprometeu na promessa perpétua de educar o seu pior.
Se é pra falar de amor, vamos falar então de quando você se depara com a primeira definição de amizade e possui um seleto grupo de melhores amigos constituído de 18 pessoas (toda sua classe do jardim I e a professora que te compra o lanche). Do seu amor por crescer, da ansiedade de alcançar o ombro da sua mãe, ou da eternidade entre a sua idade e a sua professora da alfabetização que tinha 23 anos.
Quantos gatinhos você viu no meio da rua e tentou levar pra casa pra cuidar escondido, já que sua mãe não deixaria você ficar com ele? Ora, ela sabia que eles cresceriam e você já não veria tanta fofura pela qual você se apaixonou. Acho que é por isso que as crianças amam de forma tão intensa e pura, o futuro lhes parece tão utópico que vivem cada momento como se aquela fosse a verdade da sua vida inteira(ainda há quem duvide da sabedoria de uma criança)
Se é pra falar de amor, relembre a primeira vez que você se olhou no espelho e pensou ser a pessoa mais incrível do mundo inteiro... até o seu primeiro amor, na quinta série, quando você transfere o título de pessoa incrível e acha o grande amor da sua vida, que irá durar até a sexta série. Lembre da música daquela banda que te deixava sempre arrepiado, da sensação de sentir que aquela banda sempre cantava você. Ou de quando você ganhou a primeira camisa do seu time e passou duas semana querendo usar a mesma camisa... até seu time perder e você passar duas semanas querendo apenas odiar o mundo, sumir ou chorar.
E se estamos falando de amor, que se fale em amigos do colégio que se tornaram irmãos e te deram uma definição concreta de amizade. Das promessas de quanto tudo aquilo seria para sempre e de como vocês iriam passar todos no vestibular pra mesma universidade, viajar e morarem todos no mesmo apartamento. Vocês sabiam quanta ilusão existia em cada verdade que se dizia... mas o amor tem disso as vezes, você sabe que é engano, mas preferem se enganar e fazer de tais verdades eternas enquanto durarem.
De paixão não, falem de amor. Amor é muito mais que uma definição, do que meras sensações... é muito mais vasto que achar que é pra sempre, mais puro que ser criança. É quase impossível ter certeza e amor ao mesmo tempo. Penso que deve ser um conjunto de tantas coisas: ditas e não ditas, certas e erradas, impulsivas e controladas, reais e inexistentes...
Dizem que só se ama uma vez na vida, acho que a vida é que está contida no amor.
Pra mim, o amor está em muito mais que todas as entrelinhas.
e pra você?



Ê, menina do brinco azul!
ResponderExcluirMais um texto amável!
Em tempos de tanta violência gratuita, quanto amor demonstrado em tão simples e fortes palavras!
Gostei!
E como diria Fernando Pessoa, através de Alberto Caeiro:
"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."
;)
obrigada, Rodrigo (:
ResponderExcluirVocê sempre com essas palavras tão...
obrigada :*
Não sou de muitos amores, nem de amar fácil, mas seu texto me fez pensar que talvez eu seja sim de muitos amores fáceis, porque todas as sensações que você descreveu, parando e pensando em cada uma delas, era como se fosse a coisa mais linda e fantástica que eu já vivi. Até a proxima coisa linda e fantástica acontecer.
ResponderExcluirTa lindo o texto
=*